domingo, 2 de dezembro de 2012

Desenvolvimento histórico de Piracicaba no contexto da mobilidade¹

O povoado de Piracicaba ocorre em função da rota terrestre criada para acessar as minas em Cuiabá, em 1721, nesta época tornando-se ponto de parada para aqueles que sairiam de São Paulo para o Mato Grosso. (TORRES, 2003)

Em 1822, a Freguesia de Piracicaba, logo nomeada como a Vila Nova da Constituição abrangia as cidades que hoje são: Araraquara, Rio Claro, Limeira, Pirassununga, Araras, Santa Bárbara, São Pedro, Santa Maria, Rio das Pedras, Charqueada, entre outras.

Para ascensão de categoria de freguesia (distrito) para Vila (município), eram exigidos alguns requisitos socioeconômicos. Não apenas número de habitantes, mas também, “bons meios de comunicação”, em outras palavras, acesso à capital São Paulo e também comunicação entre as freguesias. Nota-se, então, o favorecimento dos meios de acesso entre essa região que compunha Piracicaba.

Embora perto de uma região já desenvolvida economicamente, a vila de São Carlos (Campinas), não havia boas estradas entre estas regiões (Piracicaba-Campinas), afetando a a troca de mercadorias e consequentemente a comunicação entre as mesmas.

“Era tão precário o estado das estradas que a 17 de março de 1854 a Câmara enviava, à Assembleia Legislativa, longa explanação sobre o maior problema do município, isto é, o estado das suas estradas.” (TORRES, 2003, p. 67)

É importante salientar que na época as questões de criação e conservação das estradas eram não só importante para relações de abastecimento e comércio, mas também como vias de comunicação geral.

A urbanização da cidade foi um processo lento, mantendo-a com aspecto rural por muito tempo.

O desenvolvimento apareceu junto com o aumento da população, e consequentemente trazendo problemas de urbanização para a cidade, então foi percebida a necessidade de abertura de novas ruas, o que acarretou novos problemas. A abertura dessas novas ruas, na maioria das vezes esbarrava em terrenos de antigos moradores, impedindo o prolongamento das primeiras vias abertas.

Casos como estes surgiam e dificultavam ainda mais a administração da construção das novas vias, obrigando a Câmara a fazer propostas de trocas por outros terrenos em ruas já abertas. (TORRES, 2003)

Em meados de 1825, a população já passa por problemas de acesso, a cidade havia expandido para os dois lados do Rio Piracicaba, existindo uma travessia do rio através de barco (cobrado) e também uma ponte, que segundo Torres (2003), havia um pedágio para atravessa-la, ou como era chamado na época “estanque”.

A cidade já apresentava forte preocupação com relação a obras de arte (pontes), já que o seu relevo apresenta muitos rios. Sobre o rio Piracicaba existia várias pontes como continuação de algumas ruas que desemboca no rio. (TORRES, 2003)

Em 1836, foi realizado um estudo sobre o preço da arroba paga de açúcar ou café, entre São Paulo e Santos, o preço aumentava à medida que se distanciava do Porto. Atingindo a cidade de Piracicaba, portanto, inviabilizando os produtos provenientes da mesma.

Já havia sido pensado na construção da estrada de ferro três anos antes, em 1833, visando o melhoramento dos transportes de comercio entre Santos e a Vila de Porto Feliz e suas ramificações. Anos depois uma firma de Santos se propôs a realizar a construção de estradas ou ramais apropriados ao tráfego de carros ou barcos a vapor, ou outra maquina de transporte entre as cidades.

Com a construção das estradas, buscava-se atingir os rios navegáveis além do Tietê e Piracicaba.

Em 1873 a estrada de ferro Ituana atingiu Piracicaba, pouco tempo depois a Companhia Ituana adquiriu a linha férrea do Engenho Central, assim como a navegação nos Rios Tietê e Piracicaba, possibilitando a integração dos modais.

No rio Piracicaba, a navegação iria desde o canal torto – ponto extremo da via férrea do Engenho Central – até sua foz no rio Tietê. Já a navegação no Tietê, se prolongaria até ao Salto do Avanhandava.

Com 41 quilômetros, a linha férrea de Porto Martins a São Manuel foi aberta em 1888. Este ramal era na prática uma continuação do ramal de João Alfredo (Artemis) e da navegação fluvial pelos rios Piracicaba e Tietê, da própria Ituana.

A Ferrovia Paulista S/A (FEPASA), outrora chamada de Companhia Paulista de Estradas de Ferro, chegou em Piracicaba apenas em 1922.

 

BIBLIOGRAFIA:

TORRES, M. C. T. M. PIRACICABA NO SÉCULO XIX. Piracicaba: Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba, 2003.

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1 - Texto retirado do meu Trabalho de Conclusão de Curso, “Estudo sobre integração entre uso do solo e a mobilidade urbana e analise da cidade de Piracicaba com sugestões para os problemas existentes”.

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