Já faz algum tempo eu procuro adicionar as definições ‘das coisas’ em discussões, afinal, infelizmente a inclusão digital afeta de maneira direta as atividades cognitivas das pessoas. Assim, a famosa “peneirada” do que se vê e lê na internet nem sempre é aplicada, e isso não tem nada a ver com ‘ser crítico’, mas com bom senso. Os conceitos se distorcem de tal maneira hoje em dia que as pessoas não conseguem definir nada, e no final acabam falando só bobagem.
Em uma das minhas buscas por definições, encontrei uma certa dificuldade de encontrar uma boa definição de “CIDADE”.
Inicialmente nada como um bom dicionário para ajudar, vamos lá; Do latim ‘civitate’ - 1 Povoação de primeira categoria em um país; no Brasil, toda sede de município, qualquer que seja a sua importância. Com essa definição do dicionário Michaelis é possível explicar o que é uma cidade, mas será que é só isso? É uma definição conceitual, no entanto, temos outras definições que devem ser sabidas.
A história das cidades no mundo em geral é longa, dependendo das diversas definições existentes sobre o que define um assentamento permanente. Usualmente, tratada como um aglomerado urbano, uma estrutura material, a definição dada por Henri Lefebvre demonstra o caráter singular das cidades, “A cidade é a projeção da sociedade sobre um local” , desta maneira conclui-se que cada cidade se comporta de maneira diferente, já que cada individuo ali presente interage distintamente com o meio. Trata-se de uma definição mais social da cidade, e talvez a mais correta, pois, evidencia as atividades humanas e não só a pura existência do homem, em outras palavras, uma cidade é movimentada pelo comportamento humano, seja de cunho econômico, lazer ou simplesmente existencial. Está intimamente ligado com o aspecto cultural da população.
É interessante como a primeira imagem que temos quando pensamos na palavra ‘cidade’ é o aspecto físico, assim como no desenho acima, construção, casas, ruas, etc., mas nunca o homem, ou a população que vive em determinada área. Um exercício interessante é imaginar a cidade sem o homem, apenas os sistemas urbanos, ainda assim é uma cidade?
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) como, ser uma localidade com 20 mil habitantes, leva-se apenas em consideração o aspecto quantitativo, logo, o número de indivíduos que vivem em uma determinada área. Talvez a definição mais pobre que pode existir. De qualquer maneira, a definição de cidade também muda de país para país.
A definição legal de cidade, no Brasil, do ponto de vista demográfico, é a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, qualquer comunidade urbana caracterizada como sede de município é considerada uma cidade, independentemente de seu número de habitantes, sendo a parte urbanizada de seus distritos considerados prolongamentos destas cidades.
É importante mostrar a diferença de ‘município’ e ‘cidade’, que segundo o próprio IBGE, município é uma unidade territorial, onde existe uma sede, o qual é a cidade.
Bom, a pergunta que não quer calar; “e daí?”.
Perto de eleições municipais é interessante levantar esse tipo de contextualização, porque eu tenho certeza que 99% dos candidatos não saberiam de pronto contextualizar, ou mesmo definir o que é uma cidade. No tocante, é interessante mostrar que se existe um conhecimento prévio dessas definições é possível administrar ou legislar melhor uma cidade ou município. Por quê? Ora, sendo a cidade nada mais que as sociedade e suas atividades, porquê nos dias atuais vemos bons ou ruins aqueles que constroem ou não. Infelizmente a visão humana de realização deve ser através de aspectos físicos, se conseguir ver é porque foi feito algo. As mudanças de uma cidade vão além de construções de prédios ou qualquer outro elemento físico. Como exemplo de política de gestão social é possível apresentar a administração participativa, onde decisões com relação ao planejamento ou mudanças na cidade deve existir a audiência pública, onde a administração apresentaria a proposta de mudanças e então o povo daria não só opinião, mas também participaria, em partes, das decisões.
Concluindo, a população não têm o poder apenas na eleição, podemos e devemos participar mais da construção de nossas cidades, já que o nosso desenvolvimento cultural e cognitivo influenciará diretamente a elevação do padrão da sociedade, e da CIDADE.